27.8.11

"Deixa eu brincar de ser feliz"

Quando criança ele vivia a esperar pela sexta-feira, era o dia em que iria ao cinema com seu pai.
Muitas vezes erravam nas escolhas, filmes fortes, ou que ele simplesmente não entendia (até hoje tenta lembrar de um filme com um um menino aspirante a Buda que o fez dormir, e foi a primeira e única vez dentro de um cinema). Mas um filme em especial chamou sua atenção: Star Wars IV. Claro, efeitos especiais à beça. Conquista uma criança, não? Tanto que assistiram duas sextas-feiras seguidas. O menino passou meses imaginando ser um Jedi.
O tempo passou, a série não lhe encantou assim, conheceu outros filmes, saiu de casa.
A vida não suportava duelos de sabre, mas era agressiva de qualquer forma.
Visitava seu pai regularmente, e a conversa era sempre a mesma: "tudo bem?" "como está a vida?" e por aí vai.
Mas foi quando certa vez ligaram a tv e viram o antigo filme preferido do garoto que algo aconteceu. Não vamos falar aqui de coisas mágicas do tipo "e eles perceberam que ainda eram pai e filho e viveram felizes para sempre". Mas que algo ocorreu, isso é fato. O filme estava na metade, e daquela vez ninguém queria assistir ao fim. Que a transmissão travasse e ficasse parada na luta de Darth Maul e Qui-Gon.
Enquanto isso, um refrão de uma música que tocara há pouco ecoava na mente do rapaz:
"Todo carnaval tem seu fim"

2 comentários:

Alê disse...

E sempre tem um fim

Aninha Kita disse...

Ain, que conto lindo. Deu aquele aperto no coração! Essas relações familiares sempre me afetam muito.

Beijos, beijos.
Ana*